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25/01/2026 09:00

O Desafio do São Paulo: Evitar o Descenso em 2026

Enfrentando adversidades também no âmbito estadual, o clube se prepara para uma árdua jornada no Campeonato Brasileiro

3 min de leitura Por: Robert Vialli

Na véspera do confronto com o Palmeiras, neste sábado, Hernán Crespo, comandante do São Paulo, fez um alerta sombrio sobre o período crítico pelo qual passa o clube, possivelmente o mais severo de sua gloriosa história. As palavras de Crespo ganharam um contorno ainda mais grave após a derrota por 3 a 1 para o rival, deixando o Tricolor na iminência de adentrar a zona de rebaixamento do Campeonato Paulista. O desempenho até o momento – somando apenas quatro pontos em cinco jogos – é um reflexo da instabilidade que assola o Morumbi.

O ano de 2026 se anuncia como um teste de resistência para o São Paulo, ainda mais diante da crise diretiva acarretada por denúncias de corrupção, que culminou no impeachment e na renúncia do então presidente Júlio Casares. O abismo em que o clube se encontra tem no rebaixamento sua expressão mais temível. Embora a permanência na elite do futebol paulista ainda seja um cenário viável, o clube recebe o Flamengo na estreia do Campeonato Brasileiro, enfrentando desde já um prenúncio das dificuldades que terá pela frente.

A sombra do rebaixamento paira sobre o Tricolor de uma forma nunca antes vista, lançando o clube na luta para evitar um destino nunca experimentado. Apesar de demonstrações de garra, especialmente na primeira etapa do jogo contra o Palmeiras, que poderiam sugerir um desfecho diferente, reside aí um perigo latente. A história nos mostra que o tamanho de um clube não o protege de cair; pelo contrário, são as turbulências internas, mais do que as falhas em campo, que podem arrastar uma grande equipe para o abismo do descenso.

O São Paulo não está sozinho nessa triste jornada. Outros gigantes do futebol brasileiro já enfrentaram crises parecidas. O Cruzeiro, em 2019, viu-se rebaixado em meio a um escândalo de corrupção, enquanto o Internacional, sob a gestão de Vitório Piffero, experimentou o gosto amargo da Série B após condenações por estelionato e lavagem de dinheiro. O Corinthians, apesar de uma crise de liderança em 2025, conseguiu se desvencilhar dos problemas extracampo, graças à gestão de Fabinho Soldado e à visão técnica de Dorival Júnior, conquistando títulos importantes naquele ano.

A saída de Muricy Ramalho do cargo de coordenador de futebol e a possível nomeação do ex-lateral Rafinha para o posto, sem experiência anterior na função, adicionam mais incertezas ao cenário já complexo que o clube enfrenta, especialmente em um ano eleitoral e de alta carga política interna.

O São Paulo, outrora um paradigma de excelência e tricampeão mundial, hoje enfrenta o espanto geral pela decadência acelerada provocada por uma sucessão de gestões nocivas. O clube não é um caso isolado nessa espiral de declínio, mas é certamente um dos mais impactantes. A luta contra o rebaixamento, portanto, transcende o campo de jogo, exigindo uma reestruturação profunda para que o clube recupere sua grandeza.