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07/02/2026 12:01

Ex-presidente do São Paulo Resgata R$ 500 Mil Após Uso Pessoal de Cartão da Empresa

Identificados gastos não relacionados ao clube, incluindo serviços de beleza e compras em boutiques de luxo, a devolução aconteceu com correções monetárias no último semestre.

3 min de leitura Por: Robert Vialli

Em um recente levantamento realizado pelo Conselho Fiscal do São Paulo Futebol Clube, veio à tona a informação de que Julio Casares, durante seu mandato como presidente, efetuou gastos pessoais que somaram aproximadamente R$ 500 mil através do cartão corporativo do clube. Notavelmente, essas despesas incluíram serviços em salões de beleza e aquisições em lojas de alto padrão.

O ex-presidente procedeu com a restituição do montante, ajustado com juros e correção monetária, no segundo semestre do ano anterior. Esta ação ocorreu após o Conselho Fiscal solicitar os extratos detalhados do uso do cartão corporativo por Casares, uma prática que, até então, não havia sido regularizada nem exigida por nenhum setor interno do clube desde o início de sua gestão em 2021.

Este incidente chama atenção especialmente no contexto de dificuldades financeiras enfrentadas pelo São Paulo, que incluem atrasos nos pagamentos de salários e em direitos de imagem dos atletas. A ausência de uma política clara de uso e fiscalização do cartão corporativo levantou questionamentos dentro do clube, culminando na criação de uma normativa específica para regulamentar tal prática. A nova diretriz foi desenvolvida sob a orientação de Roberto Armelin, diretor de compliance do clube, após a constatação dessas irregularidades.

A falta de um protocolo formal para o uso do cartão corporativo e a subsequente necessidade de ajustes foram pontos de discórdia entre membros do clube e do Conselho Deliberativo. Embora o Código de Ética e Conduta do clube já previsse orientações para um uso responsável do cartão, o caso evidenciou a necessidade de regras mais específicas.

Desde sua posse, Casares acumulou, em média, mais de R$ 8 mil mensais em despesas pessoais com o cartão do clube. Em resposta às questões levantadas, seus advogados, Daniel Leon Bialski e Bruno Garcia Borragine, declararam que todas as despesas questionadas foram devidamente ressarcidas, enfatizando ainda que a iniciativa de regular o uso dos cartões corporativos partiu do próprio Casares em busca de alinhar a gestão às melhores práticas.

O São Paulo, por sua vez, reconheceu a necessidade de aperfeiçoar o monitoramento e controle sobre o uso dos cartões corporativos, tendo implementado a nova política sugerida pelo departamento de Compliance após o episódio. Essa medida visa prevenir futuras ocorrências semelhantes e assegurar uma gestão financeira mais transparente e eficaz dentro do clube.