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12/01/2026 18:01

Ex-dirigente do São Paulo sob Suspeita: Empresas e Movimentações Financeiras Sob Investigação Policial

O debate sobre a permanência de Julio Casares na presidência se intensifica diante de acusações e uma iminente votação de impeachment.

3 min de leitura Por: Robert Vialli

Em uma reviravolta que abala os alicerces do São Paulo Futebol Clube, a polícia civil coloca sob seu microscópio as atividades de Nelson Marques Ferreira, ex-diretor adjunto de futebol do clube, e do atual presidente, Julio Casares. O ex-dirigente, durante sua gestão de início de 2021 até novembro do ano passado, está sendo investigado por ter fundado 15 empresas, levantando suspeitas de um possível desvio de recursos do clube.

O início das investigações foi motivado por uma denúncia anônima, recebida via correio, que acusava a existência de um esquema organizado de desvios dentro do clube. A polícia, ao aprofundar-se no caso, descobriu que, além de Ferreira, Julio Casares e membros de sua família também entram na lista de suspeitos, o que levanta questionamentos sobre a gestão financeira e a integridade no trato das finanças do clube.

De acordo com Tiago Fernando Correia, delegado à frente das investigações, o inquérito já apontou para movimentações financeiras atípicas nas contas de Casares, acompanhadas de saques volumosos e inexplicados de dinheiro em espécie, totalizando um montante de cerca de 11 milhões de reais entre 2021 e 2025. O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), acionado pela investigação, corroborou as suspeitas ao detalhar um padrão anormal nas transações financeiras do presidente.

A situação se complica para Casares, que, apesar de um salário mensal de R$ 27.505,32, viu sua conta movimentar um total de R$ 3.197.499,41 ao longo de 29 meses. A defesa do presidente mantém a alegação de que não existe qualquer correlação direta entre as controvérsias financeiras do São Paulo e as entradas de dinheiro em sua conta pessoal.

O clima de instabilidade se traduz na convocação de uma reunião extraordinária pelo Conselho do São Paulo, agendada para a próxima sexta-feira, com o objetivo de votar pelo impeachment de Casares. Esta medida foi impulsionada após a revelação de um esquema ilegal de exploração de camarotes no estádio do Morumbi e aumentou a pressão para uma mudança no comando do clube.

As investigações da Polícia Civil, que também incluem apurações sobre as contas bancárias do clube e o departamento de futebol, seguem em curso. Com o São Paulo como possível vítima de esquemas internos, a comunidade tricolor aguarda por respostas e por uma condução transparente e íntegra de seus líderes, em um momento crítico para a reputação e a estabilidade do clube.